blogdecosta


17/01/2006


Absorto e distante, num lugar onde a interface mostrada não é a pensada, tão pouco a sonhada. Risonho, lisonjeado com a vida, vivida apenas nos enlaces dos cálculos (induzidos por cereais transgênicos e a picadas agendadas) cerebrais e nos projetos tortos, nas pinturas feias, nas bocas banguelas que se misturam às curvas simétricas, aos olhos profundos e aos diálogos abrilhantados à contra-gênero, o que poderia ter o mesmo peso do quase significar nada, da milionésima enxaqueca, do micro tom de branco, da dúvida, da realidade, do existir realmente e de que todos exceto uma são loucas. Ainda a vejo num sonho turvo, num sorriso símio, num caminho sem volta, traçado sem imposição, cultuado pela tristeza e um estatus esculpido em pedra sabão, bolhas de sabão e casas de bonecas.

Escrito por Ailton às 01h08
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18/08/2005


Quase um poema de amor

Numa noite sem inspiração penso o quanto é bom nada ter a pensar, liberta e aprisiona, maltrata e dói, captura meus pensamentos, o que sei não ter nenhuma razão. Tento roubar das flores, das notas, dos gostos, de homens mortos, meu pensamento revolto, teu sorriso bonito. Sem simbolismos, me olhas e apenas olhas sem profundidade, sem pretensão, sem querer seduzir-me; me entrego à inutilidade dos sonhos, não posso roubar-te a alma, mas não desisto, ainda não. Ainda ei de me apoderar de você, ei de povoar seus pensamentos e quem sabe, talvez,  em noites como esta, sem entusiasmo e sem sentimentos tempestuosos, em mim ira pensar. Uso de artifícios, me perdoe, peço de olhos baixos, mesmo assim continuo, musicas, palavras, papel. Lembre de mim, assim que a lembrança não me afete e nem a ti, mesmo que seja uma vitória sem sentido e sem gosto.

penso em você, sem estímulo e  sem querer pensar.

...amo...

Escrito por Ailton às 00h44
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Tens que observar as entrelinhas, o que se escreve não sai da razão, o que se repete transcende o pensamento. Confie no que ultrapasse o obvio, a cultura, o bonito, confie no inconsciente. Ler somente não basta, tens que estar no mesmo timing, no mesmo inútil tempo de não produzir nada, no mesmo tempo de se sentir pequeno para poder entender. Tens que se sentir ingênuo e bobo quando lês, não tens que ter medo que te aches surreal ou hipócrita. sinta que o que se escreve tem tanto sentido que só quem escreve compreende. Inútil tanto significado só para um. Sempre falta um pouco de compreensão. Vinho, charutos, cigarros, jazz, saudade.

Escrito por Ailton às 00h31
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Um homem triste...

Raros momentos em que se pára e a percepção das coisas diminuem, o motor da geladeira, chaves fazendo barulho sem se saber onde. clichês, pássaros, o chão treme não se sabe porquê. Diminuem e diminuem, desaparecerem. Sons do corpo, zumbidos, fome, tudo insiste em roubar o momento, o real, o eu comigo. Pensamentos atormentados, verdade, duvida, pensamentos sóbrios, sem influencia, se  põe num nível alto, acima do comum, acima do homem cultural. O inconsciente se aproxima  de um limiar irreal, que é o próprio ser, irreal pelo comum, pela visão do eu minimista e contextualizado, corpóreo. A busca do âmago simplista que o fará feliz sempre o persegue.

Escrito por Ailton às 00h15
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19/06/2005


...E assim o tempo passou, sem dizer nada a ninguém, sempre sussurrando rimas pobres e adiantando o relógio. E assim as noites chegavam cada vez mais rápidas, as manhãs eram cada vez mais azuis e as tardes mais brilhantes (isso não é importante pro contexto e não passa de mera coincidência). Julieta mascava cada vez mais gases e Romeu tinha verrugas na batata da perna. Romeu comprou uma caneca de porcelana Suíça. Julieta não queria mais ter filhos. A mãe de Romeu era  esquizoidia. A poodle de Julieta morreu de diarréia. Romeu sorria sem explicação durante o dia. Julieta fazia bolinhos de chuva em tardes nubladas. Julieta começou a fazer hidroginástica às 15h. Romeu foi promovido a chefe de departamentos. A voz de Julieta  era calma, suas Ventosidades eram discretas e ruborizantes. A voz de Romeu era apática e sem conteúdo e suas caretas eram cada vez mais sem expressão. Romeu pensava em ser diferente, mas a impossibilidade de ser autentico o paralisava e ele começou a ter pesadelos. Julieta pensava em ser diferente, mas a impossibilidade de ser autentica a paralisava e ela começou a ter sonhos. Romeu tinha insônia, Julieta dormia antes de Romeu chegar e já não falava frases de amor maravilhosas na mesma freqüência. A vida era quase tão perfeita, quase tão perfeita que dava vontade de dormir cedo todos os dias.

...CONTINUA...

Escrito por Ailton às 22h29
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28/05/2005


Ele queria ser escritor (cronista), mas lhe faltava o apelo e a preocupação política, queria ser doidão, mas baseado lhe da dor de cabeça, queria ser boêmio, mas tinha que trabalhar no dia seguinte, queria mudar o mundo, mas era egoísta, queria se apaixonar, mas amava todas as mulheres, queria dividir alegrias, mas era gostosamente infeliz, queria ser chistoso, mas não lembrava e nem sabia contar piadas, queria subir numa arvore bem alta, mas era medroso, tinha vertigem e não sabia onde encontrar uma arvore assim, queria ser o melhor da turma, mas era preguiçoso e não gostava de estudar, queria ser play boy, mas ganhava quatrocentos mil-réis. E assim ele queria ser tudo, mas não se prendia a nada e todo dia era assim. Sem saber ao certo o que poderia ser, ele não era nada, ou quase, ele era meio. Meio legal, meio inteligente, meio doidão, meio escritor, meio galante, meio corajoso, meio ateu, meio filósofo, meio importante e meio adjetivo. Então foi aí que a Julieta apareceu, apareceu assim, do nada, sem explicação e sem contexto e tudo ficou diferente. Julieta era um universo monocromático, uma tela em branco, ela era linda como sentir a brisa numa tela de cinema iraniano. E ele passou a ser Romeu e passou a andar de mãos dadas na praça. Quase não pensava em outras mulheres, quase não fumava, Julieta não gostava. Dava voltas na praça de mãos dadas. Romeu parou de se masturbar, não queria trair Julieta nem em pensamento e não conseguia pensar nela com o pau na mão. Romeu parou de jogar sinuca com a galera e de dividir “casos” com seus comparsas. Ela era tão pura, fazia com que ele parasse de pensar e essa era sua maior virtude, além das sardas na bochecha e das pequenas orelhas. Julieta era tão pura, Julieta não queria ser nada, queria dormir até tarde e se deitar depois da novela. Julieta queria um cachorro e um aparelho de som e dizia a toda hora frases de amor maravilhosas (te amo loucamente, serei eternamente sua, você será o pai dos meus filhos). Julieta olhava as estrelas com medo de verrucíferar e só dava de luz apagada, não dizia nada e não se preocupava com orgasmos. Julieta era perfeita. Romeu terminou a faculdade e começou a dormir depois da novela. Julieta fazia tricô, Romeu assistia sozinho aos jogos do Flamengo pela televisão, Julieta tinha gases se mascava chicletes, Romeu escutava Tribuna AM, Julieta fazia lasanha, Romeu fazia caretas no espelho, Julieta teve câncer de pele, Romeu tinha cáries. Julieta só tomava banho pela manhã, Romeu tinha uma pinta na sola do pé. A vida era tão perfeita, tão perfeita que dava vontade de dormir cedo todos os dias.

...CONTINUA...

Escrito por Ailton às 12h52
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16/04/2005


Enfim a tão famigerada crise dos trinta. Querem saber o gosto? Bem, ainda não sei ao certo como é. O gosto continua sem uma superfície bem clara, é uma coisa que nunca senti ou provei, mas acho que a melhor definição é a de um prato feito de bordel de beira de estrada. É mais ou menos assim: Uma salada de sonhos ainda não vividos, uma pitada de amor perfeito imaginado, um grelhado de menos tempo, ambições diminuídas cruas, perspectivas testamentadas a filhos futuros incertos, com muita pimenta! uma buchada de mundinho cíclico e um suquinho grátis de tempo voador em direção a morte...


PQP nunca fui precoce, mas essa crise me pegou antes do tempo...É a única explicação...

Escrito por Ailton às 21h40
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25/12/2004


O escrever é um conforto num dia apático como este de “nascimento”. Uma mente estranhamente vazia se põe a escrever buscando um sentido, uma motivação, uma razão para não sucumbir à cultura frenética do sorriso fácil, ou das gargalhadas voluntárias. As palavras erradas e redundantes dão um sentindo novamente redundante para sorrir, a rima desproposital toma com as próprias pernas a direção e as letras ganham vida e são delas a responsabilidade do que vier...

 

As vezes penso em minha relação perturbadora com as mulheres, o porque de me envolver apenas com as complicadas, de “gênio forte”, quase sempre dominadoras, quase sempre “machistas” ou feministas se preferirem. Chega a ser inevitável a atração. Sempre tive o pensamento de que se deve usar a atração carnal, quase animal, quase compulsivo, num primeiro contato e confiar cegamente nisso e a partir daí as coisas fluírem naturalmente nos relacionamentos, balelas de adolescente nada precoce, mas sempre que assim o uso, quebro a cara, no bom sentido, se é que isso exista, porque isso me atrai apenas as “difíceis” ou as “vagabundas” no bom sentido, se é que isso também exista. Se é que vocês me entendem.

Sempre tive o pensamento aberto a mulheres de “opinião” e fechado a mulheres monossilábicas, sem vontade. Assim, como percebem, estou suscetível a desencontros amorosos, a brigas repetitivas, com palavras repetidas, argumentos repetidos e desfechos, naturalmente repetidos e definições rápidas. É, sempre saio dessas brigas com o mesmo sentimento de que fiz ou disse algo errado, talvez eu seja um “doador” ou pensar que tudo que me acontece é responsabilidade inteiramente minha me faça mais dono de mim ou mais inteligente. A verdade é que me arrependo instantaneamente do que digo. Pode chamar de fraqueza. No meu dualismo natural, tento ver os dois lados, mas com mulheres assim nunca sobra tempo para dizer justamente o lado que levaria a um final “feliz”, se bem que me pergunto se adiantaria o outro lado. Mas como tudo tem que ter um bom sentido, encaro essa minha estranha atração, este autoflagelo, como uma busca subconsciente, sempre subconsciente, de crescer como pessoa. Eu que sempre procurei a imagem de homem sem definição, aberto a acontecimentos, jogador, filosofo, agora o quase “coitado”. Ainda não sei se continuo buscando a imagem de sábio em mais uma incursão ao encontro do sentimento puro, ou se sou apenas o “coitado” mesmo, se sou realmente um aprendiz de filosofo em busca de um chifre libertador existencial, ou se sou um cara magro, de piadas repetidas e de churrascos suados nos fundos da casa. É continuo especulando e usando minhas vivências, como uma cobaia de mim mesmo, frase horrível, mas bem a calhar. Como um rato, não no sentido pejorativo, mas no sentido dramático que combina mais comigo. Por falar em chifre, sempre invejei chifrudo famoso. Já observaram que um chifrudo é sempre um culto, que os gostos literários, cinematográficos ou musicais se expandem instantaneamente após um chifre, que preconceitos se anulam no chifre. Imaginem o que seria de nós sem um Tim Maia, sem uma Alcione, sem um Bruno e Marrone, um Los Hermanos, etc..., Chifrudos notórios e porque não mártires a nos acompanhar nos momentos impostos por “vagabundos ou safados cotidianos”. Quando digo chifrudo, digo, não no sentido literal, mas no sentido de “alma chifruda”, afinal nunca fui traído, presumo eu, não sei. Agradeço a todas as mulheres de minha vida (ínfimas), por suas competências em me restringir do chifre contemplativo, libertador existencial e de uma cultura maior.

 

Abraço...E porque não, FELIZ NATAL.

Escrito por Ailton às 19h41
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15/12/2004


...Fui um garoto tímido sem óculos e ainda continuo esperando meus super poderes, mas alguma coisa me diz que essa espera esta por terminar. Aquele zumbido no meu ouvido e a dor de cabeça supersônica devem significar alguma coisa...

Na ausência de imaginação II...

Escrito por Ailton às 22h35
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     O amor real é lindo é avassalador, mas infelizmente é real...É efêmero "como diria um certo professor" o amor real tem gosto, tem cheiro, nem sempre adocicado, nem sempre agradável ao coração, o amor de verdade é muito movimentado é burro e é clichê (Cego). No amor real há traição, ha dissabores cotidianos, há domingos no cinema e sábados a noite com macarronada...Sábio são os românticos, românticos...Que com suas platonisses reservam o amor verdadeiro ao seu lugar verdadeiro, o coração que mora na fantasiosa região cerebral da imaginação das possibilidades, das coceiras e bichos de pé.

Na ausência de imaginação...

 

 

Escrito por Ailton às 22h32
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11/12/2004


João não sou eu?

 

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu mudaria de vida, eu pararia de fumar e voltaria a jogar futebol.

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu ajudaria mais os outros, eu ligaria pra mulher que amo e trataria melhor as pessoas;

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu dormiria mais, eu pensaria menos e transaria apenas com uma;

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu pediria menos, eu fingiria melhor e prometeria só o necessário;

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu me importaria menos, eu repararia mais a falta de métrica e deixaria de me impor o tempo todo;

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu rimaria melhor, eu mandaria pra puta que pariu no momento exato e escreveria apenas em cadernos;

 

João não sou eu, mas se eu fosse o João eu não quereria ser eu.

Escrito por Ailton às 21h41
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13/06/2004


A um Amor por vir.

Queria esquecer meu machismo e sugar o que me trazes de bom e o que tão
delicada e amável fazes tão bem, sugar teu sexo, tua boca, teus seios. Queria conseguir te usar numa relação simbiótica, apenas
prazer. Ignorar minha construção atual e apenas sentir sem me preocupar para
onde estou indo “construção e entendimento moral”...sinto falta, esmurro a
parede, inútil! te amaldiçoou , burra! Estúpida! jogas fora o que tenho de
melhor em mim! jogas fora o que me faz humano! tanto sentimento, raro e real
não te afeta...me sinto do outro lado, o quão hipócrita sou eu. Utilizei de
suas armas e me nego a ser superado, provar de meu próprio excesso de
honestidade e aceitar que nem tudo é bom ou mal, nem todo pensamento é
fechado, sintonia o caralho! Impossível! Utopia! nem tudo é ou tem que ser
poético, simétrico...volto ao pensamento poligamico e animal, no fundo o
animal sobrepuja a cultura...Hei de me libertar de meu machismo e de me
considerar algo maior que meu destino, “igual a todos os outros”. 

Escrito por Ailton às 20h09
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Pensamentos passados

Um ano cheio de acontecimentos, mais um ano cheio de representatividade em
minha personalidade. Me encaminho para o "meu" mundo real. Neste ensaio de um
escritor sem técnica e sem inspiração, galgo um lugar em minha própria e
falha memória e que seja de bom uso. Me vejo aos cinqüenta, lendo este
pensamento juvenil e sem conteúdo, rindo de minha própria ausência de
pensamentos existenciais, não me preocupo, ainda há um longo caminho até
entender a inutilidade de minhas preocupações momentâneas.  Quando chegar ao
grau de entendimento a que procuro, não serei eu mesmo, ainda em construção
penso no amor e no sentido de ser e até comprovar meu engano ainda hei de
sofrer e peço que valha a pena... Infelizmente não há uma formula de burlar
ou pular ao degrau mais alto...
Ano de acontecimentos, planos desfeitos, amor desfeito, normalização e
enquadramento desfeito...ano bom, nada apático, cheio de
acontecimentos...tento me libertar de uma cultura machista e possessiva que
me atrapalha num mundo moderno, ainda troco cultura por sentimento, troco  o
real por projeções e sonhos inutilizados por minha morte precoce (prevista
aos 50 anos) floreiam minha necessidade e busca de felicidade...ainda
projeto ser feliz em outro...

Escrito por Ailton às 20h02
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20/05/2004


Para um amigo virtual... 07 de setembro de 2072. Querido amigo. Há tempos não nos vemos e sei que você irá estranhar toda essa escrivinhação arcaica, essa comunicação de ralé, que por motivos de força maior (amidalite, neurotendiniteradioativa) que me impede de falar-lhe ou pensar-lhe de maneira plena pelos próximos 0,0003 DNAangs, restou-me às ferramentas de outrora e sabes como penoso é para mim, utilizar tendões há muito estagnados, praticamente virgens, e estes brinquedinhos eletrônicos emulados, é realmente vergonhoso! Mas sem demoras, o motivo de estar sujeitando-me ao ridículo e correndo o risco de perder tão apreciada amizade, por não me fazer entender, obviamente, é o de informar-lhe o casório de minha amada primogênita Softí e convidar-lhe a holograficasament de meu anjinho, será com grande prazer que brindaremos e com todas as pompas que minha princesinha merece, minha lindinha, na flor da idade comemorará o casamento e teus 65 aninhos. Não vou economizar nos festejos. Estrearemos o meu mais novo código fonte, sensitivemanipuler, dos prazeres paladiniticos e terei a oportunidade de apresentar o meu genro Símulo Orgasm wind a todos os meus preciosos amigos, conto com tua inestimável virtualidade para enfim dar asas a minha única Softí. Sds.: Ayrton Soarres Coast

Escrito por Ailton às 22h52
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17/05/2004


Estava pensando, o que é uma coisa rara. Sobre olhar e não ver e sobre ver e não olhar...E este pensamento me fez refletir em qual das duas situações seria o meu caso, mais à frente pensei em qual seria a “melhor” situação, depois pensei em como escrever sobre tudo isso. Deveria exagerar como sempre, mostrando o meu lado poeta, como descreveu Álvaro campos, ou quem sabe escrever como um falso racional, potencializando o meu lado contador. Deverei puxar a sardinha dos racionais que sobrevêem a realidade e expurgam o sentimento renegado na infância ou falar admirativo, como alguns românticos teóricos, teóricos por desconhecerem o verdadeiro amor, que apenas vêem, sem olhar. Muito sentimental. Devo mudar a estratégia e falar do meu aparelho de som? Sem permissão continuo...Nunca tinha visto apesar de olhá-las sempre, suas caixas acústicas com suas linhas assimétricas e detalhes que irei esquecer tão rapidamente como não as capturei e o subwofer prateado. Por falar em subwofer deu-me vontade de olhar-me ao espelho...Tudo bem ordenado, obviamente proposital...Estranho esse buraquinho por onde saem às lágrimas. Engraçado ter uma pupila maior que a outra, nariz mediano, alguns fios fugitivos... Voltando...Que buraquinho esquisito, nada sexual! Vinte seis anos e apesar de olha-lo sempre, mais que Tarcisos ou Narcisos, nunca vi uma lagrima nascer, não que eu não tenha chorado é claro, mas uma lágrima nascer, no sentido real é coisa rara, poética, horrível, mas rara...Tentar chorar ou continuar a escrever o que ninguém lerá? Se lerem, alguns centos dos por centos não serão compreendidos, assim como minhas mãos e seus traços desconhecidos, micro-detalhes inúteis, visíveis apenas por moradores invisíveis, inquilinos inadimplentes, que migrarão assim que parar de alimenta-los e o amor que vi, mas ainda não olhei e as interpretações errôneas que assim nunca as saberei, e o beijo gostoso que não foi a outrem e nunca saberei, e o cheiro desagradável que exalei e que nunca sentirei, e minhas orelhas que nunca enxergarei no ângulo que mais tenho curiosidade, e a musica bonita, que triste e patética nunca saberei, e a lição que nunca apreenderei, e os infinitos exemplos (cínicos) que outros usarão primeiros a mim, e os livros que lerei e pensarei, como se assim o fosse, original, poderia ter os escrito, afinal. Simples como as coisas que enxerguei e que nunca vi. Simples como estas palavras desconexas que até mesmo eu nesse estranho momento não as tenho mais...Fica a pergunta: são palavras que foram vistas ou apenas enxergadas umas após as outras? São apenas ignoradas as perguntas feitas ou mal elaboradas? Infelizmente ninguém dará a resposta...Há ignorância semântica ou são apenas assim ignoradas? Seria este apenas um texto mal feito ou apenas vacilos de uma personalidade mal elaborada e mal educada, criada a esmo... Desisto...

Escrito por Ailton às 22h30
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