O escrever é um conforto num dia apático como este de “nascimento”. Uma mente estranhamente vazia se põe a escrever buscando um sentido, uma motivação, uma razão para não sucumbir à cultura frenética do sorriso fácil, ou das gargalhadas voluntárias. As palavras erradas e redundantes dão um sentindo novamente redundante para sorrir, a rima desproposital toma com as próprias pernas a direção e as letras ganham vida e são delas a responsabilidade do que vier...
As vezes penso em minha relação perturbadora com as mulheres, o porque de me envolver apenas com as complicadas, de “gênio forte”, quase sempre dominadoras, quase sempre “machistas” ou feministas se preferirem. Chega a ser inevitável a atração. Sempre tive o pensamento de que se deve usar a atração carnal, quase animal, quase compulsivo, num primeiro contato e confiar cegamente nisso e a partir daí as coisas fluírem naturalmente nos relacionamentos, balelas de adolescente nada precoce, mas sempre que assim o uso, quebro a cara, no bom sentido, se é que isso exista, porque isso me atrai apenas as “difíceis” ou as “vagabundas” no bom sentido, se é que isso também exista. Se é que vocês me entendem.
Sempre tive o pensamento aberto a mulheres de “opinião” e fechado a mulheres monossilábicas, sem vontade. Assim, como percebem, estou suscetível a desencontros amorosos, a brigas repetitivas, com palavras repetidas, argumentos repetidos e desfechos, naturalmente repetidos e definições rápidas. É, sempre saio dessas brigas com o mesmo sentimento de que fiz ou disse algo errado, talvez eu seja um “doador” ou pensar que tudo que me acontece é responsabilidade inteiramente minha me faça mais dono de mim ou mais inteligente. A verdade é que me arrependo instantaneamente do que digo. Pode chamar de fraqueza. No meu dualismo natural, tento ver os dois lados, mas com mulheres assim nunca sobra tempo para dizer justamente o lado que levaria a um final “feliz”, se bem que me pergunto se adiantaria o outro lado. Mas como tudo tem que ter um bom sentido, encaro essa minha estranha atração, este autoflagelo, como uma busca subconsciente, sempre subconsciente, de crescer como pessoa. Eu que sempre procurei a imagem de homem sem definição, aberto a acontecimentos, jogador, filosofo, agora o quase “coitado”. Ainda não sei se continuo buscando a imagem de sábio em mais uma incursão ao encontro do sentimento puro, ou se sou apenas o “coitado” mesmo, se sou realmente um aprendiz de filosofo em busca de um chifre libertador existencial, ou se sou um cara magro, de piadas repetidas e de churrascos suados nos fundos da casa. É continuo especulando e usando minhas vivências, como uma cobaia de mim mesmo, frase horrível, mas bem a calhar. Como um rato, não no sentido pejorativo, mas no sentido dramático que combina mais comigo. Por falar em chifre, sempre invejei chifrudo famoso. Já observaram que um chifrudo é sempre um culto, que os gostos literários, cinematográficos ou musicais se expandem instantaneamente após um chifre, que preconceitos se anulam no chifre. Imaginem o que seria de nós sem um Tim Maia, sem uma Alcione, sem um Bruno e Marrone, um Los Hermanos, etc..., Chifrudos notórios e porque não mártires a nos acompanhar nos momentos impostos por “vagabundos ou safados cotidianos”. Quando digo chifrudo, digo, não no sentido literal, mas no sentido de “alma chifruda”, afinal nunca fui traído, presumo eu, não sei. Agradeço a todas as mulheres de minha vida (ínfimas), por suas competências em me restringir do chifre contemplativo, libertador existencial e de uma cultura maior.
Abraço...E porque não, FELIZ NATAL.